terça-feira, abril 04, 2006

Magistério pára e Rigotto paga

Afolha mensal do magistério estatal estadual do RS vai a R$ 201 milhões, 949 mil e 116 com 47 centavos, informa uma assessora de imprensa da Secretaria de Educação (SE). Não foi fácil obter o número, que deveria estar na ponta da língua dos jornalistas da casa. Daquele valor, os ativos custam R$ 111 milhões, 84 mil e 25 com 11 centavos e, os inativos, R$ 90 milhões, 857 mil e 197 com 38 centavos. Está na proporção geral 51/49 da relação entre ativos/inativos da folha estadual do governo, geradora de déficit, altos tributos, atraso e fome. De uns, que sustentam outros. Tema para a eleição. Cada ativo representa 11% para pagar inativos. Os números das duas folhas mostram que isso está longe de ocorrer. Respeitada esta proporção, a folha dos inativos deveria ser de uns R$ 12 milhões, arredondando a conta.
Parados e pagos
Mas, neste rolo da greve do magistério, iniciada no primeiro dia de aula (02/03), há mais um fato que chama a atenção. O magistério parou e o governador Germano Rigotto pagou, mesmo sem professor em aula. A assessoria de imprensa da SE confirma que os salários dos parados não foram cortados.
Quer fazer greve faz, mas, daí a receber sem trabalhar ... o povo paga tudo. Ele é rico e próspero.
Reivindicação salarial
O magistério pede 28% por perdas acumuladas desde 2003 e mais 8,69%, índice idêntico ao reajuste dado em 2005 para o Judiciário, totalizando 36,69%. O pedido representa um aumento mensal de R$ 78 milhões, 134 mil e 113 com 16 centavos para o povo todo pagar. Ou a bagatela de R$ 937 milhões, 609 mil e 357, com 92 centavos ao ano. É óbvio que tal dinheiro não existe.
O Estado tem 92 mil matrículas de professores e 21 mil funcionários de escolas (cujo salário não está na conta acima), para 1 milhão e 450 mil alunos, informa a SE.
Segundo esta secretaria, a paralisão não passa dos 20%. Seria o caso de os diretores, cargos de confiança que são, informarem quem está parado, para serem descontados. Mas isso dá um trabalho ...
Fonte de receita
Os representantes do magistério cobram do governo que cobre as dívidas em ICMS, que vão a R$ 12 bilhões e lá vai pedrada. Muita dívida está sub judice. Boa parte é de empresas extintas, falidas. Mesmo se cobrasse tudo, não haveria em caixa nem para um ano, pois o orçamento vai a R$ 19 bilhões e pouco.

Em tempo: O governo ofereceu 8,57% ao magistério e, aos demais servidores do Executivo, 8,03% divididos em quatro vezes. Não há dinheiro em caixa, é óbvio. O aumento, segundo o secretário de Educação, o trabalhista José Fortunatti (ex-PT, atual PDT) era um "chute", isto é, o governo está aumentado a despesa sem ter noção de se pode pagar ou não.

Em mais uma assembléia geral, no ginásio de esportes Gigantinho (do Sport Clube Interancional em Porto Alegre), representando, obviamente, os 20% em greve, recusou-se a proposta (ontem 03/04/2006). Na mesma tarde em que o governador assinou a lei autorizando o aumento.
Ou seja, ganham parados e ganham aumento, permanecendo parados.

O Brasil é um paraíso mesmo, não??